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A saúde mental dos portugueses

Julho 19, 2010

Vale a pena ler esta outra visão, muitas  vezes esquecida (ou pelo menos, não tão falada), naquilo que se tem tornado o nosso país…

Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no Público, 2010-06-21

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo
das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso

Médico psiquiatra

14 comentários leave one →
  1. Anónimo permalink
    Julho 19, 2010 15:40

    Olá eu sou a Joana e lembrei-me de escrever, já, aqui e muito rapidamente, qualquer coisa antes que esse gajo, ou essa gaja, que agora deu em escrever comentários a triplicar e a quadruplicar aqui chegue com os seus apelos ao levantamento popular.

  2. Julho 19, 2010 16:10

    Olá Joana, obrigado pela tua coragem, a força de vontade demonstrada neste teu acto simbólico é já só por si meio caminho andado para superares os teus medos e angustias, este “grupo anónimo de apoio à vitima dos gajos que parecem muitos mas que afinal são só um e estão algaliados sem saber” tem o prazer de contar contigo. Uma salva de palmas para ti.

  3. Anónimo permalink
    Julho 19, 2010 16:30

    Po falar em pilhagem do erário público, já sabem que o presidente da assembleia municipal agora é administrador da companhia das lezirias? e prof. universitário?

    • Julho 19, 2010 16:48

      Já, normalmente um bom professor universitário é uma pessoa que ao longo do tempo vai acumulando conhecimento ao mesmo tempo que vê aplicados os seus ensinamentos, por vezes são reconhecidos na sua acção e ascendem a cargos que têm muito que ver com a sua acção profissional, neste caso a gestão da Companhia das Lezírias. Há outros casos em que as coisas se passam ao contrario, primeiro ascendem a cargos políticos e depois lá fazem uma formaçãozita à conta do erário publico. Quem conhece o António Sousa reconhece o seu trabalho e capacidade, você não deve conhecer concerteza para dizer tanta parvoíce.

    • O Tal permalink
      Julho 19, 2010 18:45

      Ainda bem que é, devia ser motivo de orgulho para ti, caso sejas Vianense. Bem, até és, mas ainda pensas no tempo da “outra Sra”, de quando estavas ou estavam de pernas abertas para receber ordens, como agora!Por isso cala-te e fica contente com isso, anormal…

  4. Pilha Galinhas permalink
    Julho 19, 2010 16:57

    Pois é, Joana. A estratégia do Sr. Pereira passa agora por ter dois ou três sabujos (ou será apenas ele e só ele?…) de plantão permanente à blogosfera concelhia, procurando não dar descanso ao Bengalinha e à sua equipa eleita, repitamo-lo, por maioria absoluta e inquestionável, pelo povo, nas eleições de Outubro passado. Mas primeiro tiveram o cuidado de bloquear o seu próprio blog aos comentários adversos, numa verdadeira atitude de “democratas” formados na velha escola da KGB ou da STASI…

    Quanto à nomeação do Dr. António Sousa, só quem não o conhece não lhe reconhece o mérito. Filho de famílias humildes, é um dos professores mais conceituados, na sua área, na Universidade de Évora. Terá sido precisamente pelas suas qualidades que o Sr. Pereira quis associar o seu nome ao dele, na sociedade “Contaprojecto”. Se a companhia fosse má, decerto que o Sr. Pereira não a teria aceite… Antes pelo contrário: já por várias vezes os sócios do Sr. Pereira, naquela empresa, o tentaram por fora da sociedade, sempre sem êxito. O homem recusa-se a vender a sua quota., o que significa que gosta da companhia dos outros sócios, a saber: RudolfoViegas, Bernardino Bengalinha e Dr. António Sousa. Os outros sócios é que desde há muito deixaram de gostar da companhia dele…

    Quanto à questão dos tachos, faço minhas as palavras que há pouco li num comentário de um blog novo que por aqui apareceu (http://portantopazinho.blogs.sapo.pt/). Ora vamos lá a ver. Aquela situaçãozinha que o Sr. Pereira tem na Câmara da Vidigueira chama-se… chama-se? Certo, adivinhou! É um tacho, ou não é? E aquelas outras situaçãozecas que o Sr. Diamantino e o Sr. Luís Miguel tinham na Câmara de Viana chamavam-se… chamavam-se? Era tachos, pois não eram? E a outra, a do poeta das águas, é o quê? Pois é, é um tachinho, piquenino como o homem, mas ainda assim um tachinho pra quem nunca gostou de vergar a mola… E a Ritinha, sem habilitações e a receber como chefe de divisão? Era o quê? Até o Sr. Pereira, nos últimos 8 anos que esteve na Câmara (ou melhor, não esteve, pois andava sempre saído em “serviço externo”…), o que tinha era um tacho, pois não era? Nesse caso um graaaande tacho…

    • O Tal permalink
      Julho 19, 2010 18:50

      Gostei, bem comentado!! O que devia ser um motivo de orgulho transformou-se mais numa batalha dos “comunistas encapotados”,comunistas que só o foram e são por causa dos tachos arranjados nas anterior vereação!! Nem sabem o significado de tal palavra… Vão cagar, anormais, deviam estar contentes e orgulhosos pelo que representa tal nomeação!

    • Anónimo permalink
      Julho 20, 2010 11:59

      Não foi isso que ouvi há umas temporadas atrás, parece que o sócio indesejado era o sr presidente da Junta de Viana. Tinha que ver com coisas que desapareciam da empresa, como dinheiro e essas coisas, e depois apareciam a caminho do cemitério, transformadas em casas e carros e outras coisas assim, sem se perceber bem porquê.
      Parece que esse sócio é mais rico que todos os outros sócios, uns que foram presidentes da câmara, outros que são presidentes da câmara, outros que são doutores da Universidade e essas coisas assim onde se ganha muito dinheiro e essas pessoas não percebiam como é que o outro sócio estava sempre a bailar com a mais bonita. Coisas que não percebiam, e eu também não.

    • Anónimo permalink
      Julho 20, 2010 13:17

      Ó diabo, esses é que são os sócios do Estêvão?
      Então mas eu pensava que eram o Garcia e o Luís miguel e afinal são estes?
      Que raio de sociedade afinal é essa?
      Querem lá ver que afinal quem levou a banhada fui eu, pensei que ia num caminho e afinal fui noutro. Porque é que nunca se soube disso durante a campanha eleitoral e agora é que se sabe? AHNN?

      • Zá da Fisga permalink
        Julho 21, 2010 17:25

        cala-te parvo, abre os olhos mula, atã nã vês quessa sociedade era outra, era a do betão e taméim dava lucros.

  5. Anónimo permalink
    Julho 19, 2010 17:03

    Oita , eu sou o Luís e é para dizer que concordo com a primeira comentadora, temos que trabalhar em prol da causa na luta pala defesa dos direitos adquiridos e para adquirir mais direitos.

    Eu cá faço assim – escrevo um comentário e depois vou à casa de banho arriar o calhau enquanto vejo as boazudas da Caras.

    Deixo passar algum tempo, faço uma rasante ao frigorífico, destapo uma bujeca, agarro uns torresmos (esqueço-me sempre de lavar as mãos) e sento-me outra vez ao Magalhães e escrever outro comentário.

    De seguida vou para a sala, e sento-me no sofá a ver televisão enquanto coço os túbaros. A minha sogra, como sempre, refila porque estava a ver a sua telenovela. Aquela estúpida pensa que lá por entrar com a reforma dela cá para a casa já pode fazer o que quiser. Afinal quem é que é o homem cá da casa? Grito à Maria para me trazer mais uma fresquinha e assisto calmamente ao resumo dos jogos da semana. Ela refila e eu grito que lhe parto os cornos outra vez se não faz o que lhe mando.

    Uma horita depois volto ao quarto dos miúdos. Corro-os de lá a pontapé e sento-me ao computador a escrever mais um comentário. Dá-me um bocado de trabalho porque tenho de fingir que sou outra pessoa. Ainda por cima as teclas destes computadores de caca são tão pequeninas que estou sempre a acertar nas do lado. Se era para darem alguma coisa que dessem qualquer coisa de jeito.

    Seguidamente desço as escadas e vou ali ao café do lado encontrar-me com a malta para beber mais umas minis e dizer mal da câmara (é importante o trabalho de campo). Depois de beber umas loirinhas e praticar para o concurso de arrotos e bufas, regresso a casa para mais um comentário.

    O médico não quer que eu misture a bebida com os antidepressivos que ando a tomar, caguei para ele! Agarro mais uma cervejola e espeto um tabefe no mais novo que está outra vez enfiado no quarto. Já me descontrolou a máquina e tirou aquilo do lugar onde eu estava a fazer os comentários, mais uma trabalheira. Mandei-o ir fazer qualquer coisa de útil, estes gaiatos pensam que os computadores são uns brinquedos, no meu tempo é que era. Eu é que sei a pipa de massa que gastei no petisco para pagar a um amigo meu, da função pública, o trabalho de desbloquear o Magalhães para poder ver as mamalhudas, sim que um homem também tem de se distrair.

    Depois de escrever este último comentário da tarde recosto-me na cadeira a apreciar a obra. Rio-me imaginando a cara daqueles filhos da puta quando aqui chegarem e virem a minha obra, quem sabe, sabe, têm muito a aprender com a malta.

    A mulher e os gaiatos queriam ir à praia, mas cá para mim não há nada como uma tarde de verão bem passada, em casa, na companhia da família.

  6. Anónimo permalink
    Julho 19, 2010 21:01

    Eu cá acho que o Sousa se está a amanhar á grande. Faz bem pois claro, tenho pena é que os desgraçados que trabalham na camara não possam levar nem o valor dos seus descontos como ordenado. Isso é que tenho pena. Já agora rapaziada orgulhosa do Sr. dr. Sousa, se tinham assim tanto orgulho já o podiam ter felicitado, porque é que andavam tão calados? Eu cá desejo muitos sucessos ao Sr. dr. e se precisar de um assessor chame aqui o Zézito, que eu mesmo só por metade do seu ordenado vou a correr e até visto aquela t’shirt verdalhona. Ó se visto, até durmo com ela.

    • Anónimo permalink
      Julho 19, 2010 21:54

      Já que estás tão preocupado com os queridos trabalhadores, pergunta lá ao teu camarada João Garcia quanto é que ele paga aos trabalhadores dele e que tipo de contratos de trabalho é que faz com eles.
      PS
      Aproveita também para lhe perguntar quem e porquê é que lhe espetou um ensacado de porrada.

      Viva o Partido Comunista Português
      Abaixo com as sanguessugas.

  7. TiManel permalink
    Julho 19, 2010 22:19

    É lá! Dessa não sabia eu…
    Quem é que bateu ao homem e porquê? Quando? Onde?
    Digam lá…
    Digam lá…

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