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feira d’aires 2010

Setembro 19, 2010

Em 1748 a nossa querida Santa, reparou que os comerciantes de Viana andavam um bocado ás aranhas e decidiu atender aos seus pedidos, a forma como atendeu aos pedidos nunca cheguei a perceber muito bem, no entanto deve ter atendido muito bem, pois o pessoal do comércio ficou de tal forma satisfeito que mandou construir um santuário em sua honra. Arregaçaram as mangas e lançaram mãos à obra, mas o tempo parece que não veio de feição e os netos dos bem atendidos lá acabaram a obra passados 50 anos (qualquer analogia com a obra do estaleiro é pura coincidência).

Ora por essa altura andava o D. José I armado em reformador e cheio de ideias pombalinas, pois tinha herdado um reinado em condições económicas muito deficientes do seu antecessor D. João V, o que o vai obrigar a escolher os seus colaboradores de entre aqueles que eram conhecidos pela sua oposição à politica seguida por D. João V, porém este teve mais sorte que o Bengalinha e escolhe para seus ministros Diogo de Mendonça, Corte Real Pedro da Mota e Silva e Sebastião José de Carvalho e Melo, vulgo, Marquês de Pombal.

O local que até então era de peregrinação, muito à custa das bexigas e outros males de saúde, passa no dia 27 de Setembro de 1751 a ser palco de uma feira franca autorizada por D. José I, para quem não sabe, era uma feira em que os vendedores e os compradores não tinham de pagar portagem e impostos. As feiras francas foram criadas para incentivar o comércio em algumas zonas. Parece que foi um sucesso, todos os anos chegava mais gente para vender a vaca e comprar uma cabra, consta que no inicio do século XX seria uma das feiras mais importantes do Alentejo, no tempo em que ainda se cultivavam os campos e se ia comprar a camisa branca e a bota caneleira com salto de prateleira para os próximos 52 domingos do ano.

O tempo passou e o pessoal já não usa bota caneleira e compra a camisa branca na modalfa a 14,99€, não troca a vaca pela cabra, pelo menos no sentido literal da frase e trata as bexigas com betadine. A nossa feira perdeu grande parte do significado religioso e só por muita caturrice se pode dizer que os cerca de 60 expositores demonstram a pujança comercial do concelho de Viana. Se calhar estamos na altura de fazer do Bengalinha um D. José I e esperar que reforme novamente o formato do certame e ofereça à feira de Viana um tema que crie reais oportunidades de negócio, quer no profano quer no religioso, nem que para isso tenha que por o pessoal da DAU a vender farturas.

4 comentários leave one →
  1. Anónimo permalink
    Setembro 19, 2010 19:38

    Boa Luis, mas para o pessoal da DAU vender farturas tinham que colocar o requerimento agora e lá para 2013 estaria deferido e lá estavam eles. Sabe como é facilidades não é com eles. Mas fartura, muita…cada dia mais…

  2. olhovivo permalink
    Setembro 19, 2010 21:22

    Peixe, andas armado em Hermano Saraiva???

  3. Pisca olhos permalink
    Setembro 19, 2010 22:21

    AHAHAAH, muito bom!
    Gostava de ver a Deolinda a apregoar ” Ó FREGUESA CHEGUE-SE PRA CÁ “…

  4. heliotério bomba permalink
    Setembro 20, 2010 11:39

    Ao menos a Deolinda ainda sabe apregoar, agora o resto, ai lá… vai!

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