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a lista do caixote

Outubro 9, 2010

Não sei ainda de quem foi a ideia de representar Aguiar na Feira d’Aires com o tão falado relógio, mas fiquei positivamente surpreendido, foi dado um passo de gigante para ultrapassar a fábula que alguém inventou um dia e em última analise demonstra maturidade de pensamento. O relógio da Igreja é um símbolo de Aguiar, é talvez a forma mais simples de dizer onde estamos sem receios do passado que nunca existiu no sentido pejorativo que lhe quiseram dar. É um produto de marketing muito eficaz e deveria poder ser utilizado noutros suportes.

O relógio tem no entanto uma história real, uma verdade que faz parte da realidade de todos quantos lá têm parte. Na fachada da Igreja pudemos ler numa lápide comemorativa “Este relógio foi inaugurado por D. José Joaquim Policarpo”, deixando a impressão que o mesmo que precisava de corda de dois em dois dias, lá tinha nascido por ordem divina. Acontece que o relógio da Igreja Matriz foi lá colocado pela vontade dos homens e mulheres de Aguiar e nesta história não há caixotes de cornos tal como pude comprovar pelas palavras do Sr. Joaquim Lopes Branquinho, que o foi buscar pessoalmente à estação de Viana e que um ano antes com a ajuda de uma comissão de festas lançam mãos à obra pelas alturas das verdadeiras festas de Aguiar, as festas de Nossa Senhora da Assunção em Agosto.

E quem é que me havia de dizer que hoje me ia sentar à mesma mesa do Sr. Joaquim Lopes Branquinho, aguiarense de nascença, talvez um homem mais tolerante do que foi outrora, mas duro, como duros foram outros tempos, que pelo que percebi não leva desaforos para casa, com uma atitude muito interessante e uma lucidez assinalável, própria de alguém mais jovem, que me ofereceu a possibilidade de fotografar a única verdade sobre o relógio de Aguiar.

Corria o ano de 1958 quando a comissão de festas Presidida pelo Padre Wenseslau Golçalo de Almeida Gil, o Secretário Joaquim Lopes Branquinho, o Tesoureiro Francisco Miguel Flor e o resto do staff como se pode verificar pelo documento abaixo se propuseram a fazer um peditório que possibilitasse a aquisição do Relógio que continuava a não assumir a sua posição na Igreja Matriz. A Firma contactada foi a Fábrica de Relógios a Boa Construtora com sede em Almada e tinha que se arranjar 17,700$00, uma fortuna portanto.

 

1958

1959

 

As festas decorreram como era hábito, muita comida e bebida, bailarico no largo e as normais escaramuças pois pelo que percebi era hábito nas festas de Aguiar aquando do toque no ombro do homem conjuntamente com a palavra “passa”, deveria este passar a vez de dançar a quem estava a pedir, acontece que havia uns com menos vontade de passar.

Embora o relógio tenha sido montado na igreja em 1958, só foi integralmente pago depois das festas de 1959, as quais já tiveram direito a tourada e orquestra que veio da Vidigueira no autocarro dos Belos, pela módica quantia de 1,300$00.

O pessoal acorreu às festas e não houve ninguém que quisesse ficar de fora do peditório, todos queriam ter parte e é esta a verdade, deixo a lista de todos aqueles que têm verdadeiramente parte no relógio de Aguiar.

 

Clique nas imagens para as aumentar

 

 

 

 

Para que não restem duvidas, o relógio tem garantia e foi pago.

 

Agradecimentos ao Sr. Joaquim Lopes Branquinho.

9 comentários leave one →
  1. Outubro 9, 2010 21:57

    Obrigado Luís Pedro, por nos dar a conhecer estas preciosidades.

  2. Alexandre Dias permalink
    Outubro 10, 2010 16:49

    Muito bom. Obrigado Luis

  3. Vianense permalink
    Outubro 11, 2010 18:15

    Muito bom mesmo compadre Luis, até já vi aí o nome de pessoal da minha família, obrigado continue que a malta agradece. Bom trabalho e um abraço. Sou de Viana mas tenho parte no relógio com muito orgulho.

  4. Anónimo permalink
    Outubro 11, 2010 19:21

    Amor e ódio…, esta foi de fofinho!

  5. Vianense permalink
    Outubro 11, 2010 20:24

    Fofinho é a tua prima,e se calhar tamém lá tens parte e na dás o braço a torcer, ou tás com medo ? Deixa lá que esses tempos já lá vão, pelo menos assume-te como filho da terra ou como filho da puta. Mas como na tens o nome como deste pró relógio deves ter um calote na estação das alcáçovas.

  6. o Tal permalink
    Outubro 11, 2010 22:17

    Aparecem sempre uns parvos…

  7. joao salvador permalink
    Outubro 12, 2010 17:32

    Dou te os parabéns pela excelente informação que tiveste acesso e que pudemos ficar mais esclarecidos sobre a historia do Relógio.
    Ass: João Salvador

  8. Anónimo permalink
    Outubro 12, 2010 19:05

    Esta NÃO é a história do relógio de Aguiar. A ter acontecido, coisa que sinceramente não acredito, essa história ter-se-ia passado em data incerta do século XIX,envolvendo um padre safado que teria abalado com o dinheiro. A história que aqui está documentada é a do relógio existente, comprado sem quaisquer percalços, por subscrição popular promovida pelo padre Venceslau de Almeida Gil, nos finais dos anos cinquenta.
    Gostei de ver o stand da Junta de Aguiar na Feira d’Aires, fazendo bom uso da história do relógio, provando que ela está integrada no “corpus” etnográfico local, isto é, que já faz parte da identidade dos Aguiarenses.

    f.b.

  9. Outubro 14, 2010 10:52

    Nunca estivestes a tão alto nivel, como desta vez…

    Rui Ramos

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