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sem esperança, nós não temos nada

Outubro 23, 2011
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Pela primeira vez desde que voto e já lá vão uns aninhos, sinto-me completamente defraudado e enganado. Nada do que tem sido feito reflecte qualquer pensamento ou medida feita em promessa eleitoral. Pior que isso, nenhuma destas medidas que têm vindo a ser tomadas reflectem o bom senso que deve haver junto de um país que já está nas lonas e onde há muito que o tecido produtivo se foi abaixo.

Este último Orçamento de Estado, cego e surdo, não vai por si só trazer qualquer resultado positivo, pois para além de provocar o medo na casa de cada qual, vai certamente acabar com o pouco tecido empresarial que ainda existe. Directamente os portugueses funcionários do estado vão perder regalias (cerca de 25% dos seus rendimentos), com isto vão perder poder de compra e acima de tudo com o perigo de poderem vir a perder a possibilidade de honrarem com os seus compromissos. Esta velha história vai levar-nos à inevitável situação da redução da receita e assim no próximo ano teremos o quê?

É do senso comum que esta recessão profunda para onde nos estão a atirar é uma espiral sem fim previsível, não há qualquer medida de relançamento da economia nem de esperança.

A insensibilidade deste governo perante a sua nação tem sido grosseira e começo a ter a impressão de que vai haver convulsão social.

Na primeira semana de rodada de politólogos pelos meios de comunicação veio a indignação, mas tudo isto vai passar quando todos começarmos a ver assalariados da politica entrarem em debate acerca da inevitabilidade, tornando esse facto um fenómeno aceitável e até discutível.

Algumas pessoas referem este facto como um facto natural, referindo-se aos tempos em que as pessoas não tinham comida para comer e que afinal esta crise não é uma crise tão grande assim. O que é certo é que já há gente que não tem comida no prato e a moldura que enquadra a democracia plena, a classe média, já há muito tempo que desceu de divisão.

No entanto o comum dos mortais pergunta-se, como será possível mudar alguma coisa, como será possível garantir os benefícios de uma vida, como será possível viver numa sociedade em que os valores se mantêm inalterados para quem paga e se mudam as regras do jogo a cada momento para quem recebe. A crise financeira não é mais que uma maneira de se voltar a financiar a banca, os mecanismos são altamente lesivos para os estados e para os seus cidadãos e o crime é perpetrado pelos governos dos mesmos. E é por esta mesma razão que não consigo perceber o porquê de tanta injustiça. Não acredito que uma equipa cheia de boas intenções, de repente se tenha tornado num fantoche ao serviço de uma vontade que ninguém aceita.

O problema é global, o tratamento não pode ser regional e acima de tudo não devemos, nós enquanto cidadãos portugueses, assumir o risco da experiência. Tenho sérias dúvidas quanto à capacidade de gestão deste ministro das finanças, bem quanto à sua seriedade enquanto português que defende a sua pátria. Acima de tudo reconheço que há sempre uma alternativa pela qual lutar e fazer sacrifícios e não acredito que haja um único português que reconheça que este é o caminho.

Naturalmente que a economia paralela vai disparar ainda mais na mesma medida em que a receita do estado vai diminuir e se chegarmos a 2013 com estas medidas corremos o risco de nos tornarmos no ponto zero da Europa, o ponto onde só as novas gerações poderão traçar um caminho condicente com um país que vai ser muito mais pobre financeiramente e socialmente. O que nos querem fazer é simples, ninguém quer perceber que a melhor maneira de reconstruir o caos é criar um terramoto e ele está ai, resta saber se vai ser político ou social.

3 comentários leave one →
  1. olho vivo permalink
    Outubro 23, 2011 21:20

    “…Em relação ao corte na despesa pública a evolução que se verifica é a seguinte. Nos anos 2012 e 2013, ou seja, em dois anos, o corte da despesa pública previsto no PEC-4 era de 4111 milhões €; no “Memorando” da troika FMI-BCE-CE atingia 5.245 milhões €, mas no “Documento de Estratégia do PSD/CDS” atinge o gigantesco valor de 8580 milhões €, ou seja, mais 4469 milhões € (+92%) do que no PEC-4 e mais 3335 milhões € que no “Memorando de entendimento” da troika (+63,6%). É evidente que estes cortes a concretizarem-se determinará a destruição do Serviço Nacional de Saúde, do sistema público de educação e do sistema de segurança social. Não é possível reduzir a despesa pública com esta dimensão sem afectar gravemente estes serviços essenciais à população. Uma análise mais pormenorizada para saber onde o governo pretende fazer os maiores cortes confirma essa conclusão. E isto porque as áreas mais atingidas por estes cortes brutais de despesa que o governo PSD/CDS tenciona fazer são o SNS (-1372 milhões €); as pensões (-1376 milhões €); as prestações sociais (-344 milhões €); a educação (-522 milhões €); e os investimentos criadores de emprego (-1368 milhões €). E não se pense que estes cortes atingem fundamentalmente o desperdício. O objectivo do governo não é esse. Como os portugueses vão sentir em 2012 mas também em 2013, estes cortes, se forem concretizados, terão efeitos dramáticos sobre serviços essenciais que o Estado presta à população, tendo esta de pagar muito mais para os ter ou, em alternativa, deixar de ter acesso a eles…”

  2. Anónimo permalink
    Outubro 24, 2011 08:43

    Passos Coelho, quando em campanha promocional para se vender a este País como primeiro-ministro-salvador-da-Pátria escreveu um livro chamado “Mudar”. Nele fazia-se uma análise da situação do estado da Nação e avançava com as suas propostas para a salvação da Pátria.

    Esse livro, uma manta de retalhos de teorias económicas mal digeridas, prova hoje que Passos Coelhos não fazia a mínima ideia do que se passava em Portugal. Mais que isso, não tem soluções para o País. Nem uma das medidas preconizadas nesse livro foi implementada pelo seu Desgoverno. Tem feito exactamente o contrário daquilo que nos vendeu. Não é o estado que emagrece, somos nós que vamos morrer para que o actual status quo se mantenha.

  3. Anónimo permalink
    Outubro 24, 2011 15:53

    lido num comentário no “Expresso” online e infelismente…

    “Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e
    sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas…’

    Guerra Junqueiro, in “Pátria”, escrito em 1896″

    Rui Rodrigues

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