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Bengalinha Pinto, um candidato, um projecto, um voto!!

Abril 16, 2013

Por Frederico Nunes de Carvalho no Alcáçovas

 

Este texto foi devidamente ponderado por todos os motivos que exigem serenidade e reflexão no apoio a um candidato, mas sobretudo por fazê-lo a alguém que foge significativamente à minha matriz ideológica. Acresce neste âmbito que um candidato autárquico é muito mais a pessoa, a equipa e o projecto do que o apoio partidário que traz na sua rectaguarda. No caso de Bengalinha Pinto, da sua equipa, do seu mandato em curso e da sua já anunciada recandidatura o trabalho desenvolvido e o projecto apresentado falam por si e são naturalmente e inequivocamente um estímulo para mim enquanto cidadão no desafio autárquico.

Sobre a candidatura de Bengalinha Pinto como independente apoiado pelo PS, apraz-me dizer que em boa hora Viana do Alentejo contou com este gestor autárquico. Confesso que o conheci após a sua vitória nas autárquicas de 2009, mas esse conhecimento foi-se consolidando, transformando-se numa amizade e profunda admiração por todo o trabalho desenvolvido em prol do concelho e igualmente pela estratégia que gizou para o seu futuro. O que vinha de trás era um bafiento executivo comunista que teimava em abrir as portas do desenvolvimento ao concelho, fazendo meras obras de regime, muitas delas completamente desnecessárias e inoperantes apenas para marcar um cunho do seu mandato com obras faraónicas de betão. Criou muitas infraestruturas de lazer para jovens quando o que este concelho vinha precisamente perdendo era a aposta no futuro e nos seus jovens. Não vale a pena construir uma casa pelo telhado e Bengalinha Pinto preocupou-se e ainda se preocupa em criar condições para que a economia local seja revitalizada e que a iniciativa privada seja bem-vinda e próspera dando desta forma melhores bases para um futuro sustentável do concelho. Não lhe interessa o oportunismo de ter a sua edilidade como o principal empregador do concelho, nem o populismo e a tentação de acatar as solicitações de inúmeras associações e entidades locais como forma de comprar a posteriori o seu apoio eleitoral, como foi sendo regra no passado. Criou uma vasta plataforma de entendimento e de discussão sobre a economia local (GADE), estimulou a parceria entre associações para rentabilizar os seus horizontes, redimensionou iniciativas criadas no passado, mas adaptadas às novas exigências económicas, apostou na melhor qualificação técnica e na informação dos seus munícipes, aprofundou a sua aposta nas actividades lúdicas e culturais rentabilizando os espaços concelhios para o efeito, empreendeu um massivo apoio de âmbito social, também este resultado directo da crise que se atravessa, criou marcas âncora para o concelho como são disso exemplo os chocalhos das Alcáçovas e a olaria de Viana do Alentejo, prossegue a indispensável renovação das infra-estruturas básicas de saneamento, apropiou-se como devido interesse do projecto do Paço dos Henriques e prepara-se para finalizar umas das mais importantes ferramentas para o desenvolvimento do concelho que é o PDM de Viana do Alentejo. Admito que não foram ainda alcançados os melhores resultados possíveis ou desejáveis, no entanto acho que é este o caminho, trilhado com seriedade, ponderação, trabalho e muita esperança no futuro do concelho. E assim Bengalinha Pinto vai seduzindo muitos cidadãos e eleitores como eu que, ao contrário do vetusto passado, ignorou as tentações megalómanas e estéreis apostas, para dar uma real dimensão ao concelho e aos seus horizontes futuros.

Se há alguma área onde gostaria de ver o executivo de Bengalinha Pinto apostar mais na área económica era sobretudo no apoio à actividade agrícola pela sua importância no desenvolvimento económico local e da empregabilidade no concelho, bem como na área do turismo e, neste segmento no turismo cultural pelas quase inesgotáveis oportunidades que há para desenvolver e rentabilizar em prol de um desenvolvimento sustentável. A aposta na área da Cultura será algo que irei desenvolver mais adiante, pela importância estratégica que julgo que poderá vir a ter no estímulo ao turismo e consequentemente à economia local.

Dito isto, não gostaria de terminar sem fazer um apelo às estruturas locais do PSD e CDS-PP para que se unam verdadeiramente em prol do concelho e nesse diapasão, reconhecendo o bom trabalho desenvolvido pelo actual executivo e admitindo igualmente que será muito difícil reunirem algum candidato que possa ombrear com Bengalinha Pinto, encetam um apoio conjunto à sua candidatura dando uma cabal demonstração de seriedade e objectividade em política, actualmente tão gastas pelas duvidosas opções dos nossos dirigentes político-partidários. Sou democrata-cristão e não me custa nada apoiar desta forma uma candidatura que me parece séria, determinada e sobretudo capaz de dar ao concelho um novo rosto, preocupada com a fixação de gente no concelho, com o estímulo à economia, da qualificação e educação dos seus munícipes e de uma solidariedade social para com quem mais necessita. Neste momento não me parece oportuno, nem justificável sequer que existam candidaturas provenientes do espectro político da Direita em Viana do Alentejo, pelo trabalho desenvolvido pela actual equipa e até pela eventualidade do voto útil utilizado na candidatura de Bengalinha Pinto para fazer face a outra forte candidatura proveniente do PCP poder dar resultados residuais e desoladores para as possíveis candidaturas de CDS-PP e PSD.  Assim, exorto os responsáveis políticos a medirem bem as virtudes de novas candidaturas, quando neste momento existe já uma fortíssima opção, espelhada em Bengalinha Pinto, um candidato, uma equipa e um projecto!!

Entrevistas improváveis

Abril 2, 2013

 

Repórter PB – Como classifica o mandato de João Penetra em Alvito nestes 3 anos e picos que passaram?

Munícipe de Alvito – Bom, muito bom para as pessoas, ri-se muito e ajuda muito nas passadeiras

Repórter PB – Acha o candidato bonito?

Munícipe de Alvito – Gosto mais sem óculos, mas tem a sua graça, é pequeno, os candidatos pequenos têm muita graça

Repórter PB – Se soubesse que o candidato vai abandonar a Camara de Alvito para se candidatar à Camara de Viana do Alentejo, que diria?

Munícipe de Alvito – Diria que vai ajudar muita gente nas passadeiras e qua vai cá fazer muita falta nas associações de reformados. Agora que me diz isso, até fiquei com vontade de ir viver para Viana.

Repórter PB – Acha que a saída do Presidente Penetra da Camara de Alvito tão prematuramente vai trazer alguns transtornos à circulação de peões nas passadeiras?

Munícipe de Alvito – Certamente que sim, o João Valério é bom a dançar o fandango, mas nas passadeiras não tem dado muito nas vistas, Alvito vai perder um grande homem que contava com ele não sei bem para quê, mas era uma simpatia, uma vez ficou ao meu lado na missa.

Repórter PB – Acha que a Camara de Alvito vai ficar à deriva durante estes últimos meses de mandato sem o camarada Penetra?

Munícipe de Alvito – à quê?

Repórter PB – À deriva

Munícipe de Alvito – Não sabemos ainda, na realidade sinto alguma ansiedade, acho que vou tomar um diazepan e dormir um bocado

Repórter PB – Se o Candidato Penetra se recandidatasse outra vez por Alvito, votava nele?

Munícipe de Alvito – É pra dizer que sim?

Repórter PB – É para dizer o que quiser

Munícipe de Alvito – Não sei, a CDU é que depois mandava dizer para a gente saber em quem votar.

Repórter PB – Já votou alguma vez sem ser na CDU?

Munícipe de Alvito – Sim, uma vez na APU e outra no PCP, sou muito independente no voto.

Repórter PB – Olhando agora aqui para o concelho de Alvito, acha que o Presidente Penetra deixa alguma marca

Munícipe de Alvito – Claro que sim, na estrada de Viana estão lá duas travagens dele à chegada, as outras são arranques quando parte.

Repórter PB – Muito obrigado pela entrevista concedida

Munícipe de Alvito -Eu é que agradeço, boa sorte ao Sr. Penetra, boa sorte nesta campanha para ganhar a Camara de Alcáçovas

arquivamento de inquérito

Março 25, 2013

O peixe banana, tem vindo ano após ano a relatar factos e a fazer critica satírica aqui no concelho de Viana do Alentejo, não teve qualquer intenção de prejudicar ninguém no seu trabalho e sempre que se pronunciou sobre qualquer aspecto social, económico ou pessoal, foi numa lógica puramente cívica, criando grupos de pressão para alertar factos que são propriedade de uma comunidade, alertando para uma maior participação cívica dos munícipes eleitores. Não substitui poderes, mas dá opinião.

A sua linha de rumo, assenta numa analise critica das questões politicas e sociais do concelho e é puramente pessoal, naturalmente que há pessoas que não entendem as coisas da mesma forma e é essa a maior vitória que o  25 de Abril nos deu, pelo menos para mim, a liberdade de expressão e a possibilidade de nos podermos queixar e defender nos locais próprios.

O documento que aqui anexo tem exactamente a ver com este blogue, o Peixe Banana, na minha pessoa foi acusado e fui constituído arguido, defendi-me e o processo foi arquivado pelos motivos abaixo mencionados, só foi tornado publico a partir desta data e decidi publica-lo por pertencer a este tempo de liberdade e porque deixou de ser segredo de justiça.

Aproveito para tecer aqui alguns comentários acerca da pessoa que apresentou queixa de “difamação agravada”. Não lhe guardo algum rancor, tal como nunca a quis prejudicar na sua carreira, sinceramente até aprecio quem toma partidos e defende causas e convicções e quer andar com a sua vida para a frente, na realidade eu não tenho qualquer poder para poder julgar alguém, posso quanto muito tecer considerações pessoais e só o faço na defesa de causas publicas. Acrescento que todos os textos de ficção que aqui publiquei, não retratam pessoas reais, são tão somente um espelho da sociedade em que estamos integrados.

Foram omitidos no documento que a seguir se segue, algumas moradas e os nomes das testemunhas, o mesmo pode ser consultado na integra nos órgãos que decidiram o arquivamento do mesmo.

Aproveito para dizer que tenho amigos de todos os quadrantes políticos e não me insiro num determinado conceito politico, sou livre na minha atitude e na minha qualidade de eleitor e acredito na liberdade com responsabilidade, por isso dei sempre a minha cara, não me assumo nem nunca assumi como detentor de verdades absolutas e não sou candidato a nada, não me sirvo da politica e sou apenas um português que tenta ganhar a vida conforme pode.

Sem querer estar a associar esta queixa a uma tentativa de silenciar o Peixe Banana, agora que se dá inicio a mais uma nova campanha Autárquica, não deixo de pensar que se houve essa intenção, não seria isso que me demoveria de dizer o que penso da mesma forma que o tenho feito até aqui.

Para concluir, agradeço a quem me acompanhou neste processo.

Obrigado Ana.

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Reeleger o Bengalinha

Março 21, 2013

Reeleger o Bengalinha

it doesent get better than this

Março 21, 2013

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O peixe banana tem estado muito parado, mais por falta de motivação do que outra coisa, na realidade temos atravessado tempos difíceis o que fez com que me afastasse um bocado das escritas e até mesmo dos noticiários, esta espiral recessiva que parece não ter fim acabou por tocar a todos, no entanto nunca deixei de ser de causas e na realidade é isso que me motiva, as pessoas e o seu querer.

Há quatro anos decidi apoiar a candidatura do Bengalinha, depois de uma grande campanha com muito envolvimento da população, muito dinâmica e acima de tudo muito transparente, o Bengalinha foi eleito com maioria, de notar que o anterior elenco governativo da Camara de Viana do Alentejo estava gasto, inanimado e a desorganização era por demais evidente, mas num concelho com votos clubísticos e com pouca mobilidade partidária conseguiu mesmo assim ter um resultado surpreendente.

Com isto quero dizer que mesmo sem fazer nada, a candidatura CDU em 2009, ainda teve um porradão de votos.

Para esta candidatura o Bengalinha defende a Camara e tem novo opositor, João Penetra, atual presidente da Camara de Alvito, eterno candidato à Camara de Viana do Alentejo, Católico, Associativista, Politico, Gestor de Empresas e aos fins-de-semana, duplo das ambulâncias da cruz vermelha.

João Penetra não vai ser tarefa fácil para Bengalinha Pinto, sabe jogar ao jogo da política, muito mais oficioso que oficial, sabe ler nas entrelinhas e quando damos por ele, já está ao nosso lado na fila do supermercado em Viana só para comprar uma banana. É com isto que a candidatura de Bengalinha Pinto se tem de preocupar, com as aparições de Fátima e o milagre da aparição em todos os montes e vales, às cambalhotas, a rir e a prometer o milagre da multiplicação associativista.

Naturalmente que todos reparámos que os tempos mudaram, as dificuldades são imensas, mas surpreendentemente estes quatro anos foram anos de obra e de relançamento de novos projectos, uns concretizados, outros por concretizar, tamanhas foram as impossibilidades criadas pelo acesso aos dinheiros comunitários. Gerir a Camara de Viana do Alentejo, com um orçamento reduzido, sem recurso ao crédito da mesma forma que foi em tempos, tornou-se tarefa complicada, João Penetra também o deve ter sentido em Alvito, se bem que com muito menos obra.

A Camara de Viana foi no entanto proactiva e procurou muito democraticamente ir a todas, foi parceira e renovou a sua imagem, criando bases para o futuro sem comprometer o munícipe. Colaborou com as freguesias equitativamente e abriu espaço democrático no boletim municipal, não foi só Bengalinha Pinto como foi em tempos só Estevão Pereira, foi município e foi nesse âmbito que se abriram portas para o bom relacionamento intermunicipal, Viana do Alentejo continua a padecer de alguns males que de certa forma se agravaram com esta recessão profunda, mas está hoje presente nas instituições e conhece o seu futuro. Esta é a razão que me leva a querer participar nesta campanha ao lado do Bengalinha Pinto.

Naturalmente que nem tudo está bem, isso seria quase impossível, não há deuses do olimpo na política, na minha opinião existem algumas coisas que por alguma razão não resultaram, no caso da DAU, foi por demais evidente, passamos de uma atitude totalmente permissiva (a qual trouxe grandes complicações ao atual elenco) a uma atitude de defesa permanente, penso que aqui tenha que ser feito qualquer coisa que liberte os técnicos do peso do investimento que se pode ter perdido, a meu ver, mais politica, menos técnica, melhor assessoria jurídica, mais colaboração com o investidor e acima de tudo, mais presença nos atos de decisão.

De resto pouca coisa mais a acrescentar, não vale a pena falar do desemprego que esse foi um mal nacional, nem da crise, nem da falta de dinheiro que todos sentimos hoje na carteira, esse não é o objetivo desta campanha, o objetivo desta campanha é unicamente eleger Bengalinha Pinto novamente no Município de Viana do Alentejo e logicamente tentar perceber porque não concorre novamente João Penetra ao Município de Alvito.

Dito isto, a campanha está aberta aqui no peixe banana, os comentários são moderados com muita pena minha.

Boa sorte aos concorrentes

MUNDO DE JONET

Novembro 8, 2012
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Na antologia do esquecimento

Camarada Van Zeller, as ciganas do meu bairro excitam-me. As novas e as velhas. Estas porque vestem saias compridas, geralmente negras, não vão à cabeleireira e levantam-se cedo para apanhar caracóis. As outras porque parecem putas, vestem-se como putas, entram e saem de carros suspeitos, tal qual putas. E as putas excitam-me. As ciganas do meu bairro vivem no mundo de Jonet, apesar de não lavarem os dentes. Suponho que não os lavem porque ou os não têm ou os têm estragados. A pasta de dentes está pela hora da morte, não oferecem detergentes para a boca na benfeitoria, só sopa de caracóis. É preciso poupar para ir ao bowling beber café, já que não dá para ir ao concerto de rock. As ciganas do meu bairro nem sequer gostam de rock, o mais rock que ouvem é o Tony Carreira na grafonola do Mercado de Santana. Se alguma vez foram a um concerto, foram puxadas pelos carros suspeitos. Talvez tenham dançado ao som dos Lords nas festas em honra de Nossa Senhora de Jonet, à freguesia do Auxílio. Olho para as ciganas do meu bairro, este bairro do mundo de Jonet, e imponho-me uma estóica reaprendizagem de ser pobre. Isto de reaprender a ser pobre tem muito que se lhe diga, porque só reaprende a ser pobre quem já o foi e deixou de ser. Quem nunca foi pobre pode não ter sequer que aprender a sê-lo, bastando-lhe sugerir aos que já o foram que voltem a sê-lo. Eu quero ser pobre, eu ambiciono ser pobre, eu desejo ser pobre, preciso que me ensinem a ser pobre. Eu venho-me de austeridade. Por isso me levanto bem cedo, antes de ir para o trabalho, e fico a olhar as ciganas do meu bairro. Masturbo-me a olhá-las – as velhas apanhando caracóis, as novas ganhando para o Nestum – e confesso que tenho vivido acima das minhas possibilidades. Nada devo a ninguém, felizmente, mas a verdade é que vivo acima das minhas possibilidades. Contribuo para o banco alimentar, distribuo cigarros pelos carochos, fumo e bebo e vou ao cinema e ao concerto de rock. Só não vou à missa largar tostão no cesto de verga, não quero exagerar nesta coisa do despesismo. Sou um consumista indefectível, tenho asma, respiro mais do que o necessário, do MEO prescindiria não fosse ter a viver comigo uma família idiota. A minha família é idiota, vive num mundo de Jonet. No mundo de Jonet nós vivemos de uma maneira completamente idiota. Nós somos nós, todos quantos lavam os dentes com a água da torneira a correr. Por exemplo, os idiotas dos filhos da Isabel. As ciganas do meu bairro não são idiotas porque não lavam os dentes, mas os filhos da Isabel são. Eles lavam os dentes. Esperemos que limpem a cera dos ouvidos. Aqueles que foram educados a lavar os dentes com água no copo também são idiotas, pois não souberam educar os seus filhos a fechar a torneira. É provável que esses mesmos filhos prefiram um concerto rock a fazer uma radiografia, o que não se lhes censura. Excepto se for um concerto de Rock in Rio. Há que fazer aqui uma lógica de contabilidade doméstica, há que ir aos concertos do Padre Borga. São mais baratos, poupamos no merchandising. No mundo de Jonet há pobres, mas não há miséria. Há muito Nestum. Três milhões de portugueses entopem os centros de ajuda e os abrigos, dormem na rua, não lavam os dentes, ouvem Padre Borga, beijam a mão caridosa da Isabel, estão robustos, rechonchudos, comem Nestum. É certo que muitos desempregados não vão encontrar uma oportunidade de trabalho porque continuam em casa dos pais a comer Nestum para poderem ir ao concerto de rock, pelo que devíamos de uma vez por todas acabar com os concertos de rock. Só missa e Padre Borga e Isabel no mundo de Jonet, porque dos indigentes será o reino do senhor. Cada um de nós tem de fazer o esforço de olhar para aquilo que vai perder como uma necessidade de voltar ao mais básico, e voltar ao mais básico é ser livre, é ser feliz, é poder dizer que nada se tem a perder porque, na realidade, nada se tem, excepto água no copo para lavar os dentes. E caracóis na erva. Que a sede mata-se por si enquanto Isabel puder cuspir nas nossas mãos.

 

a nossa selecção

Setembro 18, 2012
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